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domingo, 31 de maio de 2009

Machado de Assis


"Quando ela fala,parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.



Meu coração dolorido
As suas magoas exala.
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.



Pudesse eu eternamente
Ao lado dela escutá-la
Ouvir sua voz inocente
Quando ela fala.

Minh´alma, já semi-morta
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu se abre uma porta
Quando ela fala.


Mundo Interior



Ouso que a natureza é Uma lauda eterna
De pomba,de fulgor,de movimento e lida
Uma escala de luz, uma escala de vida
De sol a ínfima luzerna.

Ouço que a natureza, a natureza externa, tem o olhar que
namora, e um gesto que intimida,
Feiticeira que ceva uma hidra de Ler na
Entre às flores da bela Arminda.
E contudo, se fecho os olhos, e mergulho
Dentro em mim, vejo à luz de outro sol, outro abismo
Em que o mundo mais vasto, armado de outro orgulho
Rola a vida imortal e o eterno cataclismo
E, como outro, guarda em seu âmbito enorme
Um segredo que atrai, que desafia - e dorme."



Bailando no ar,gemia inquieto a vagalume
Quem me dera que fosse aquela loura estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela.
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:


Pudesse eu copiar a transparente lume
Que, da grega coluna à gótica janela
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela
claridade imortal, que toda a luz resume!"
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Porque não nasci eu um simples vagalume?"



Poeta Machado de Assis


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