domingo, 30 de dezembro de 2012

MEU MUNDO RENASCEU QUANDO PERSEGUI MEUS OBJETIVOS




Meu mundo
"renasceu"
quando
percebi que eu
tinha esquecido de mim
e que eu poderia voltar
a vida e ser Melhor !
Minha poesia traz as
lindas flores que esqueci
nos jardins
de minha história ...
Então floresceram
quando lembrei de voltar e buscar
nas raizes mortas a dignidade de ser eu mesma...
Hoje tenho das flores o seu melhor perfume
porque encontrei vida
no meu universo
das palavras !
Rachel Omena
Maceió - Alagoas 
TODAS AS MINHAS POESIAS PODEM SER ENCONTRADAS NO BLOG O CRISTAL DE UMA MULHER

http://rachelrochaomena.blogspot.com.br/


 MORTE E A VIDA

Quando a morte apagar
a memória da minha carne
descerá para o descanso do nada
Porque dai é quando estarei viva eternamente
e livre da matéria eu irei caminhar na luz da
 paralela tangente primaveril para enfim respirar
o ar da vida
O meu espírito será o meu abraço suave
e o retrovisor da geografia e geometria
e lamentará a morte por não
entrar no meu templo de pedra
porque na luz as trevas não enxerga o que me criou
Mas, feliz do que viveu nesta vida terrena
e desceu muitas escadas 
para logo depois escalar suas fortalezas
 cada uma delas
Todas as escadas.

A vida terrena é um disfarce existencial... Uma passagem condicional, Um processo multi-terapêutico... Ela é a síndrome do tudo ser, E a febre do tudo acabar.


 EU MULHER MAR DE MEUS SENTIDOS

Sou mulher , correnteza forte
nas entranhas das pérolas e seus mistérios
onde meu segredo existe numa flor que abre-se para vida
como fascínio que regendo a lua cheia
Na ternura que foge do óbvio para se sentir atrativa
num encontro de fortaleza e império
Sou mulher que ama o calor e o brilho do sol
e nas estrelas estão meus orgasmos que banha o mar
como magia e sintonia de mil essências

Arquiteta do destino que brota paraísos
construo pontes e curvas
dentro de meu sexo fervente de amor
Em minhas mãos está deitado o meu amante
apaixonado pela música de meus sussurros embriagantes
e como fada eu faço fio do infinito prazer
 alquimia dentro de seus caminhos e sonhos
Faço da noite a brisa que sai do corpo lúcido
o calor que devora a minha paixão selvagem e inesgotável
solidificando meu próprio ar na arena perfeita entre meus seios
 latentes que transporta o cheiro de muitas rosas
Como uma borboleta,
 eu estou a voar rumo ao céu
 sonhando com a melodia do coração

ESTE AMOR TEM HORA CERTA


O homem que eu amo
tem a cor da natureza
tem o hálito da laranjeira
tem o cabelo cor do mel 
tem o desejo e a paixão
tem o silêncio das estrelas
tem o brilho do sol do meio dia
tem as mãos suaves como pluma
tem no sorriso a lua
tem no seu coração o meu amor
tenho no meu coração o seu amor
este amor tem o dia certo
a hora certa da chegada
tem o momento certo do encontro
e o infinito para viver

Rachel Omena

SOBRE SUA POESIA




Afortunados são os que tem a capacidade de escrever poesía e fazer seu outro oficio,e também são aqueles que o lêem y controem um refugio onde refrescam seu espírito com a bebida gratificante de palabras e sentimentos,que eleva seu espírito até um céu limpo de nuvens onde só brilha a luz de sua inspiração.  Uma obra de arte é boa se há nascido ao impulso de uma íntima necessidade.

Precisamente  neste  seu modo de engendrar-se  radica  e estriba  o valor da poesía, porque explora as profundidades  de onde mana a vida.  Alí radica a históriada beleza e da poesía, a que coabita em o humano e para o humano,a que vá escrevendo paralelamente a história da humanidade,e neste ordemanemento perfeito do caos que antecede a beleza se concebe a grandiosa poesia.

Muitas vezes me perguntei em meio destes desvelos que me perseguem e que me anuncia a aparição da palabra ¡ Que misteriosos meios, que sopros desconhecidos e germinais movem a este grupo de pessoas a resgatar ”tempo do tempo” para acudir,inverno e verão, embaixo da chuva persistente ou um sol que tranpassa,a cumprir com uma missão irredutível de escrever poesía.

 È muito difícil dar uma opinião sobre o proveito da poesía individualmente; depende de fatores particulares do poeta. Pode ser a concreção de uma necessidade esencial,uma maneira de ver e mostrar o mundo,uma maneira de sentir junto com outros. Do que vou fazer fazendo este prólogo deste trabalho solitario, silencioso e inspiradora que realiza a escritora brasileira Rachel Rocha Omena(Maceió – Alagoas). Recebedora deste portentoso mistério,onde recolhe a beleza que sente seu espírito,traslada a palabras com sua máxima expressão . Em cada um de seus poemas nos demonstra que a poesía é como a água que sustenta a terra. Porque atrás da palabra está o sopro de poético, é  a sombra invisível que forma a arquitetura ,das paisagens interiores do homem, que constitui a verdadeira essência do ser, que se cobre e dialoga dentro de nós mesmos.

A poesia é a instauração do ser com a palavra. Exatamente é assim. O cristal de uma mulher se transforma e se converte em beleza . Nos eleva ao universo que para a escritora é como uma infinita galeria de arte , de pequenas e grandes obras maestras que sustentam o frágil e as vezes o miserável espectro de nossas realidades. Sente em cada verso a necessidade de ligar e conciliar o mundo com o universo onde habita a harmonia como pedra angular da beleza . Levando a poeta a estabelecer seu mundo desde onde inicia a construção de seu próprio edifício para abrir a janela das escuridões para a luz, a elevação do cotidiano as comarcas da beleza, assim, a chuva sobre o jardim, o cantar dos insetos nas noites, a espuma e o cheiro do mar ao romper na praia , o aroma do pão ao ser cozido, o homem urbano e seus fantasmas diários, o amor, a ternura, a alegria, todas as pequenas e grandes coisas que fazem uma alma ir repetível poético . Rachel Rocha Omena é uma das escritoras mais peculiares da nova literatura de Alagoas. De versos  amatórios vibrantes por seu romantismo e por sua perpetua forma de amar. Leve como suspensa no tempo, os textos e a paisagem narrativo do amor que nos transmite laboriosa a cultura das palavras, nos produz o encanto e a serenidade que somente emerge de uma constante harmonia interior.
Há uma linguagem plena de desfrutes do carinho, da generosidade de compartilhar sentimentos , que faz que aflore em cada um dos leitores sentimentos e emoções que voam como uma pluma para os profundos e misteriosos filtros do amor. Esta é a ação e reação alquímica que produz fascinação e fará que nos cerque como espectadores a seu poema a cada momento.
O mérito a sua poesia é como se  saíram cristais de sua boca. Palavras de cristais, que encandeiam e encantam e caem no resplendor  da memória do leitor. Tem uma trajetória poética pela precocidade e a intensividade e que vence assim a diáspora do tempo nesta terra que há deixado a seus cantores da palavra.
Sua melhor qualidade reside em ser o centro mesmo da claridade e as inspirações do homem, de seu abismo e de seus sonhos mais altos.
Víctor Manuel Guzmán
Maceio – Alagoas, 11 de janeiro del 2011



quinta-feira, 2 de junho de 2011

CORA CORALINA UMA GRANDE MULHER E POETA





Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Cora Coralina, uma das principais escritoras brasileiras, publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade.[1]

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

É avó das jornalistas Ana Maria Tahan e Célia Bretas Tahan

Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa de Goiás. Começou a escrever os seus primeiros textos aos quatorze anos de idade, publicando-os nos jornais locais apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com Mestra Silvina. Publicou nessa fase, 1910, o conto Tragédia na Roça. Casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Viveria no estado de São Paulo por quarenta e cinco anos, inicialmente nos municípios de Avaré e Jaboticabal, e depois em São Paulo, para onde se mudaria em 1924. Ao chegar à capital, teve que permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade. Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a praça do Patriarca. Um de seus filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932. Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou para Goiás. Ao completar cinquenta anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás. Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas Comep, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD. Cora Coralina morreu em Goiânia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.


Cora Coralina morreu em 1985 aos 95 de idade, cuidou do seu interior mais do que seu exterior, tinha todas as linhas da vida no rosto, e que vida !
Um repórter perguntou à CORA CORALINA (poeta que viveu até 95 anos) o que é viver bem?Ela disse-lhe: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.  E digo prá você, não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e  isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço,  com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e  isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.


Um repórter perguntou à CORA CORALINA (poeta que viveu até 95 anos) o que é viver bem?
Ela disse-lhe: “Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.  E digo prá você, não pense. Nunca diga estou envelhecendo ou estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou ouvindo pouco. É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Também não diga prá você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais. Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada. Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica. Você vai se convencendo daquilo e convence os outros.
Então silêncio! Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha não. Você acha que eu sou?
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de  mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço,  com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.”

Cora Coralina morreu em 1985 aos 95 de idade, cuidou do seu interior mais do que seu exterior, tinha todas as linhas da vida no rosto, e que vida !



Mãe


Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...
"Poeminha Amoroso"

Corredores...
Eu andei
Sorri, chorei, tanto
Não me arrependi
Ganhei e perdi
Fiz como pude
Lutei contra o amor
E quanto mais vencia, me achava um perdedor
Mais tarde me enganei
Vi com outros olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais me levando pra alguém
Quem?
Visitou os corredores da minha alma
Soube dos enganos
Secretos planos
E até uns traumas
Sempre fui muito só
Eu andei
Sorri, chorei tanto
Fui quase feliz
Fiz tudo que quis
Fiz como puder
Desprezei meu ego
Dando esmolas a ele com se fosse um cego
Mais tarde me enfeitei
Até pintei os olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais me escapando pra alguém
Quem?
Visitou os corredores da minha alma
Soube dos meus erros
E dos nós que fiz
Bem na linha da vida
Sempre fui muito só
Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Quando eu te vi andava tão desprevenido
Que nem ouvi tocar o alarme de perigo
E você foi me conquistando devagar
Quando notei já não tinha como recuar
E foi assim que nos juntamos distraídos
Que no começo tudo é muito divertido
Mas sempre tinha um amigo pra falar
Que o nosso amor nunca foi feito pra durar
Por mais que eu durma eu não descanso
Por mais que eu corra eu não te alcanço
Mas não tem jeito eu não sei como esperar

Desesperar também não vou
Não vou deixar você passar
Como água escorrendo nos dedos
Fluindo pra outro lugar
Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo
Tudo que pode acontecer com dois bicudos
Não são tão poucas as arestas pra aparar
Mas é que o meu desejo não deseja se calar
Até os erros já parecem ter sentido
Não sei se eu traí primeiro ou fui traído

Não te pedi uma conduta exemplar
Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar
Eu quero te roubar pra mim
eu que não sei pedir nada
me caminho é meio perdido
mas se perder seja o melhor destino
Agora não vou mais mudar
minha procura por si só
já era o que eu queria achar
quando você chama meu nome
Eu que tbem não sei aonde estou
pra mim que tudo era saudade
agora seja lá o que for
Eu so quero saber em qual rua
minha vida vai encostar na tua
E sai que forte eu sei chegar
mesmo se eu perder o rumo
E saiba que forte eu sei chegar
se for preciso eu sumo.
Espera aí,

Nem vem com essa história
 Eu nem quero ouvir
Não dá pra te esquecer agora
Como assim?
Você disse que me amava tanto ontem
Eu juro que ouvi
Calma aí!

Que diabo você tá dizendo agora?
Que onda é essa de outro lance pra viver?
Você nem pode tá falando sério
Vivi pra você
Morri pra você
Pois então vai
A porta esteve aberta o tempo todo, sai
O que está esperando? Você sabe voar
Então tá bom

É, senta e conta logo tudo devagar
Não minta, não me faça suportar
Você caindo nesse abismo enorme
Tão fora de mim
Tá legal

É, e eu faço o quê com a nossa vida genial?
Cê vai viver pra outra vida
E eu fico aqui
Na vida que ficou em minha vida
Tão perto de mim
Tão longe de mim
Pois então vai, a porta esteve aberta o tempo todo
Sai! Quem tá lhe segurando? Você sabe voar
Mas se quiser, vai

A porta na verdade nem existe, sai
O que está esperando? Você sabe voar De volta pra mim
De volta pra mim...
"Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre
Me prenda em seus braços
É o que eu te peço."

"Mulheres são como maçãs em árvores.
As melhores estão no topo.
Os homens não querem alcançar essas boas,
porque eles têm medo de cair e se machucar. 
Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão,
que não são boas como as do topo,
mas são fáceis de se conseguir.

Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas,
quando na verdade, eles estão errados...
Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar,
aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."

"As pessoas mais felizes não
têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das
oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para
aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam
e tentam sempre.

Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas.
Mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o
dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"

As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se pode ver nem tocar.
Elas devem ser sentidas com o coração. 
Não devemos ter medo dos confrontos. 
Até os plenetas se chocam, e do caos nascem as estrelas.
Não se mede o valor de um homem pelas suas roupas
ou pelos bens que possui,
o verdadeiro valor do homem é o seu caráter,
suas idéias e a nobreza dos seus ideais.


Coração é terra que ninguém vê


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.


Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão


Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...


sábado, 30 de abril de 2011

Poesias de Rachel de Queiroz




Telha de vidro





Rachel de Queiroz Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que - coitados - tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
- Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Geometria dos ventos


Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao
mesmo tempo.



Telha de Vidro

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha...
Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha...

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...

Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz doa dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você na experimenta?
A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

 São Francisco de Canindé

Ele estava lá no céu,
junto de Nosso Senhor...
Mas um dia lembrou-se de vir cá
pra dentro daquela igreja,
pra cima daquele altar...

Ficou tão vistoso e rico
todo cercado de luz,
         todo cercado de flor!
Amostrando as mãos feridas,
as rosas presas num laço,
e o pé chagado de roxo
que é mode a gente beijar...

E milagre?
Hoje só sofre quem quer...
—Tem bouba no pé?
E esipra?
Um catarrão incansado
lhe cerra a arca do peito?
— Por que é que não promete
a são Francisco das Chagas,
tão bom e tão milagroso,
uma perna de cera?
ou o dinheiro do legume
que você apurou depois das águas?

Veja o quarto dos milagres,
dava para um rio de cera. E na galeria de uma banda,
aquele cofre:
só de prata de paroara
chegou pra o santo enricar!...

"Meu irmão me dê uma esmola
pela luz que Deus lhe deu!
Que já tive pra morrer
são Francisco me valeu
porque eu prometi a ele
tudo o que tinha de meu...
E dei o que prometi,
ao depois vim esmolar."

"Ah, meu irmão me socorra!
E queira Deus lhe livrar
de um dia lhe acontecer
fazer promessa e pagar..."

Nunca mais
que são Francisco quer voltar pró céu!...
Acha tão bom lá na igreja
no altar enfeitado!
Ou pelo tempo na festa
dar um passeio no andor!...
Tão bom no Canindé!...
Rachel de Queiroz

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Maria Emília Redi


VIAGEM INTERIOR

Suavemente
A mente
Se faz ausente ...
E ... de repente
Sente
Silenciosamente
O encanto
Do canto
Do SER !!


Morre hoje e é com tristeza que os poetas se despedem de uma grande mulher


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

PAULO COELHO


Nascido numa família de classe média católica, aos sete anos Paulo Coelho ingressa em um colégio jesuíta da então capital do Brasil.
Desde muito novo, gostava de escrever e mantinha um diário. No colégio, participava de concursos de poesia e cursos de teatro. No entanto, seu pai queria que ele fosse engenheiro, e sua mãe desestimulava Paulo a seguir a carreira de escritor. As brigas com os pais eram constantes e Paulo teve muitas crises de depressão e raiva na adolescência, tendo sido internado três vezes em uma clínica de repouso, onde foi tratado por psicólogos.
Na década de 1960 entra para o mundo do teatro, como diretor e ator, criando peças voltadas ao teatro experimental e de vanguarda, mas obtendo pouca expressividade. No início da década seguinte, em 1970, Paulo entra de cabeça no movimento hippie, ao mesmo tempo em que conhece o mundo das drogas e do ocultismo, incluíndo o chamado Caminho da Mão Esquerda. Profissionalmente, além de diretor e ator teatral, exerce também a função de jornalista em publicações ditas alternativas com as revistas "A Pomba" e "2001", quando em 1972 conhece Raul Seixas, então executivo da gravadora CBS. Os dois se tornam parceiros em diversas músicas que exerceriam influência no rock brasileiro (consta na biografia de Paulo Coelho, "O Mago", do escritor Fernando Morais, que Raul Seixas, para incentivar o amigo a compor, colocou-o como parceiro em sua participação na trilha sonora da novela O Rebu da Rede Globo, sem que Paulo escrevesse uma única linha). Nessa época, Paulo Coelho envolve-se com Marcelo Motta e torna-se um seguidor de Aleister Crowley e da chamada "Sociedade Alternativa", a qual apresenta a Raul e que lhe renderia problemas com o governo militar. Compõe também para diversos intérpretes, tais como Elis Regina, Rita Lee e Rosana Fiengo.
Seu fascínio pela busca espiritual, que data da época em que, como hippie, viajava pelo mundo, resultou numa série de experiências em sociedades secretas, religiões orientais, etc.
A edição do seu primeiro livro foi em 1982, Arquivos do Inferno, que não teve repercussão desejada. Lançou o seu segundo livro O Manual Prático do Vampirismo em 1985, que logo mandou recolher considerando o trabalho de má qualidade. Conforme suas próprias palavras, confessa: “O mito é interessante, o livro é péssimo”.
Em 1986, Paulo Coelho fez a viagem de peregrinação pelo Caminho de Santiago. Percorreu quase 700 quilômetros a pé do sul da França até a cidade de Santiago de Compostela na Galiza, experiência que relata em detalhes no livro O Diário de um Mago, editado em 1987. No ano seguinte, publicou O Alquimista, que - apesar de sua lenta vendagem inicial, o que provocou a desistência do seu primeiro editor - se transformaria no livro brasileiro mais vendido em todos os tempos; O Alquimista é um dos mais importantes fenômenos literários do século XX. Chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países e vendeu, até o momento, 41 milhões de exemplares.
Nos anos subseqüentes foram lançados os seguintes livros : Brida (1990), As Valkírias (1992), Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei (1994), Maktub (1994), O Monte Cinco (1996), Manual do Guerreiro da Luz (1997), Veronika Decide Morrer (1998), O Demônio e a Srtª Prym (2000), Histórias para Pais, Filhos e Netos (2001), Onze Minutos (2003), O Gênio e as Rosas (2004), O Zahir (2005) e A Bruxa de Portobello (2006)(2005) e O vencedor está só (2008)
Como escritor, apesar das críticas, ocupa as primeiras posições no ranking dos livros mais vendidos no mundo. Vendeu, até hoje, um total de 100 milhões de livros, em mais de 150 países, tendo suas obras traduzidas para 66 idiomas e sendo o autor mais vendido em língua portuguesa de todos os tempos, ultrapassando até mesmo Jorge Amado, cujas vendas somam 54 milhões de livros.




FRASES DE PAULO COELHO


A única maneira de seguir nossos sonhos é sendo generoso conosco mesmo."
“A vida nos pega desprevenidos e nos obriga a caminhar para o desconhecido mesmo quando não queremos, quando não precisamos."
“Não devemos tentar melhorar naquilo que os outros esperam de nós, mas descobrir o que esperamos de nós mesmos."
“Não ofereça a Deus apenas a dor de suas penitências, ofereça também suas alegrias."
“Não precisamos saber nem 'como' nem 'onde', mas existe uma pergunta que devemos fazer sempre que começamos qualquer coisa. 'Para que tenho que fazer isto?
“Não queira ser audacioso, quando basta ser inteligente."
“O esforço é saudável e indispensável, mas sem os resultados não significa nada."

Pelo brilho nos olhos, desde o começo dos tempos, as pessoas reconhecem seu verdadeiro Amor." “Poucos aceitam o fardo da própria vitória, a maioria desiste dos sonhos quando eles se tornam possíveis."
“Precisamos aproveitar quando a sorte está do nosso lado, e fazer tudo para ajudá-la da mesma maneira que está nos ajudando."
“O mal não é o que entra na boca domem. O mal é o que sai dela."
“Quando alguém deseja algo, precisa saber que está correndo riscos. Mas isto justamente que faz a vida interessante."
“Quando alguém evolui, evolui tudo que está à sua volta."
“Quando se ama, não é preciso entender o que acontece lá fora, porque tudo passa a acontecer dentro de nós."
“Quando todos os dias ficam iguais, é porque deixamos de perceber as coisas boas que aparecem em nossas vidas."
“Quantas coisas perdemos por medo de perder."

“Não queira ser bravo, quando basta ser inteligente."
“Ninguém consegue fugir do seu coração. Por isso é melhor escutar o que ele fala. Para que jamais venha um golpe que você não espera."
“Nós sempre temos tendência de ver coisas que não existem, e ficar cegos para as grandes lições que estão diante de nossos olhos."
“O amor é arriscado, mas sempre foi assim. Há milhares de anos as pessoas se buscam e se encontram."
“O amor é olhar as mesmas montanhas por ângulos diferentes."
“No amor não existem regras. O coração decide, e o que ele decidir é o que vale."
“A única maneira de seguir nossos sonhos é sendo generoso conosco mesmo."
“A vida nos pega desprevenidos e nos obriga a caminhar para o desconhecido mesmo quando não queremos, quando não precisamos."
“Não devemos tentar melhorar naquilo que os outros esperam de nós, mas descobrir o que esperamos de nós mesmos."
“Não ofereça a Deus apenas a dor de suas penitências, ofereça também suas alegrias."
“Não precisamos saber nem 'como' nem 'onde', mas existe uma pergunta que devemos fazer sempre que começamos qualquer coisa. 'Para que tenho que fazer isto?
“Não queira ser audacioso, quando basta ser inteligente."
“O esforço é saudável e indispensável, mas sem os resultados não significa nada."

“O verdadeiro caminho da sabedoria pode ser identificado por três coisas: precisa ter amor, deve ser prático, e pode ser percorrido por qualquer um."
“Os anjos se fazem notar apenas para aqueles que acreditam na sua existência, embora sempre estejam presentes."
“Os homens que se julgam sábios são indecisos na hora de mandar e são rebeldes na hora de servir."
“Os olhos mostram a força da alma."
“Os que tentam matar o corpo ofendem a Lei de Deus. Os que tentam matar a alma também, embora esta falta seja menos visível aos olhos do próximo."
“Os sentimentos devem estar sempre em liberdade. Não se deve julgar o amor futuro pelo sofrimento passado."
“Para que tenho que fazer isto."

“Antes da mão manejar a espada, ela deve localizar o Inimigo e saber como enfrentá-lo. A espada apenas dá o golpe. Mas a mão já está vitoriosa ou perdedora antes desse golpe."
“As coisas simples são as mais profundas."
“As tarefas diárias jamais impediram alguém de seguir seus sonhos."
“A fé é uma conquista difícil, que exige combates diários para ser mantida.”
“A maior mentira do mundo: em determinado momento de nossa existência, perdemos o controle de nossas vidas, e ela passa a ser governada pelo destino."
Muitas pessoas se fascinam pelos detalhes e esquecem o que procuram."
“Não adianta querer agradar todo mundo. Só os medíocres conseguem isso e mesmo assim à custa de muito sacrifício pessoal."

“Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder."

“Escute seu coração. Ele conhece todas as coisas, porque veio da Alma do Mundo e um dia retornará para ela." Veja em cartão
“Existem momentos na vida que a única alternativa possível é perder o controle."
“Existem pessoas que acostumam-se com seus próprios erros, e em pouco tempo confundem seus defeitos com virtudes."
“Insistimos em ver o cisco no olho, e esquecemos as montanhas, os campos e as oliveiras."
“O amor só descansa quando morre. Um amor vivo é um amor em conflito." Veja em cartão
“E que diferença faz para o mundo uma vírgula separando um sujeito de um verbo?" :em entrevista ao Jornal da Tarde, defendendo sua gramática, digamos, pouco convencional

Chegamos exatamente onde precisamos chegar, porque a Mão de Deus sempre guia aquele que segue seu caminho com fé." Veja em cartão
“Com a força de nosso amor, de nossa vontade, podemos mudar o nosso destino, e o destino de muita gente." Veja em cartão
“Conhecimento sem transformação não é sabedoria."
“Deus é a palavra. Cuidado com o que você fala em qualquer situação ou instante de sua vida."
“Deus está onde O deixam entrar."
“Deus não está na tortura da alma ou nas confusões do pensamento, mas na capacidade que o homem tem - de olhar as estrelas e ficar comovido." Veja em cartão
“Deus sempre dá uma segunda chance na vida."
“É preciso estar atento, deixar que as coisas mudem. Se você mantém o que é velho, o novo não tem espaço para manifestar-se."


Pelo brilho nos olhos, desde o começo dos tempos, as pessoas reconhecem seu verdadeiro Amor." “Poucos aceitam o fardo da própria vitória, a maioria desiste dos sonhos quando eles se tornam possíveis."
“Precisamos aproveitar quando a sorte está do nosso lado, e fazer tudo para ajudá-la da mesma maneira que está nos ajudando."
“O mal não é o que entra na boca domem. O mal é o que sai dela."
“Quando alguém deseja algo, precisa saber que está correndo riscos. Mas isto justamente que faz a vida interessante."
“Quando alguém evolui, evolui tudo que está à sua volta."
“Quando se ama, não é preciso entender o que acontece lá fora, porque tudo passa a acontecer dentro de nós."
“Quando todos os dias ficam iguais, é porque deixamos de perceber as coisas boas que aparecem em nossas vidas."
“Quantas coisas perdemos por medo de perder."

“Não queira ser bravo, quando basta ser inteligente."
“Ninguém consegue fugir do seu coração. Por isso é melhor escutar o que ele fala. Para que jamais venha um golpe que você não espera."
“Nós sempre temos tendência de ver coisas que não existem, e ficar cegos para as grandes lições que estão diante de nossos olhos."
“O amor é arriscado, mas sempre foi assim. Há milhares de anos as pessoas se buscam e se encontram."
“O amor é olhar as mesmas montanhas por ângulos diferentes."
“No amor não existem regras. O coração decide, e o que ele decidir é o que vale."

“O verdadeiro caminho da sabedoria pode ser identificado por três coisas: precisa ter amor, deve ser prático, e pode ser percorrido por qualquer um."
“Os anjos se fazem notar apenas para aqueles que acreditam na sua existência, embora sempre estejam presentes."
“Os homens que se julgam sábios são indecisos na hora de mandar e são rebeldes na hora de servir."
“Os olhos mostram a força da alma."
“Os que tentam matar o corpo ofendem a Lei de Deus. Os que tentam matar a alma também, embora esta falta seja menos visível aos olhos do próximo."
“Os sentimentos devem estar sempre em liberdade. Não se deve julgar o amor futuro pelo sofrimento passado."
“Para que tenho que fazer isto."

“A única maneira de seguir nossos sonhos é sendo generoso conosco mesmo."
“A vida nos pega desprevenidos e nos obriga a caminhar para o desconhecido mesmo quando não queremos, quando não precisamos."
“Não devemos tentar melhorar naquilo que os outros esperam de nós, mas descobrir o que esperamos de nós mesmos."
“Não ofereça a Deus apenas a dor de suas penitências, ofereça também suas alegrias."
“Não precisamos saber nem 'como' nem 'onde', mas existe uma pergunta que devemos fazer sempre que começamos qualquer coisa. 'Para que tenho que fazer isto?
“Não queira ser audacioso, quando basta ser inteligente."
“O esforço é saudável e indispensável, mas sem os resultados não significa nada."


“Antes da mão manejar a espada, ela deve localizar o Inimigo e saber como enfrentá-lo. A espada apenas dá o golpe. Mas a mão já está vitoriosa ou perdedora antes desse golpe."
“As coisas simples são as mais profundas."
“As tarefas diárias jamais impediram alguém de seguir seus sonhos."
“A fé é uma conquista difícil, que exige combates diários para ser mantida.”
“A maior mentira do mundo: em determinado momento de nossa existência, perdemos o controle de nossas vidas, e ela passa a ser governada pelo destino."
Muitas pessoas se fascinam pelos detalhes e esquecem o que procuram."
“Não adianta querer agradar todo mundo. Só os medíocres conseguem isso e mesmo assim à custa de muito sacrifício pessoal."
“Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder."
“Escute seu coração. Ele conhece todas as coisas, porque veio da Alma do Mundo e um dia retornará para ela." Veja em cartão
“Existem momentos na vida que a única alternativa possível é perder o controle."
“Existem pessoas que acostumam-se com seus próprios erros, e em pouco tempo confundem seus defeitos com virtudes."
“Insistimos em ver o cisco no olho, e esquecemos as montanhas, os campos e as oliveiras."
“O amor só descansa quando morre. Um amor vivo é um amor em conflito." Veja em cartão
“E que diferença faz para o mundo uma vírgula separando um sujeito de um verbo?" :em entrevista ao Jornal da Tarde, defendendo sua gramática, digamos, pouco convencional


domingo, 28 de novembro de 2010

O PRINCIPE DOS POETAS ALAGOANOS

JORGE DE LIMA


Jorge de Lima nasceu em União dos Palmares (AL), em 23 de abril de 1893. Filho de José Mateus de Lima, um senhor de engenho, e de Delmina Simões de Mateus de Lima. Cursou parte do primário no município natal, e viria a ser completado no Instituto Alagoano, em Maceió. Transferiu-se para o Colégio Diocesano de Alagoas, onde completou os “preparatórios”. Iniciou, em 1911, a faculdade de Medicina, em Salvador BA, concluindo-a em 1915, no Rio de Janeiro. Ainda em 1915 retorna a Maceió para exercer a medicina. Em 1919, elegeu-se Deputado Estadual pelo Partido Republicano de Alagoas, assumindo a Presidência da Câmara por dois anos. Em 1930, transferiu-se para o Rio de Janeiro por desavenças políticas, e ali na Capital exerceu a clínica médica e foi professor de Literatura Brasileira na Universidade do Brasil. O seu consultório na Cinelândia tornou-se famoso como centro de reunião de intelectuais e amigos. Após a queda do Estado Novo, militou na política, elegendo-se vereador no antigo Distrito Federal, pela UDN. Em 1944, candidatou-se sem êxito à Academia Brasileira de Letras. Em 1952, é fundada a Sociedade Carioca de Escritores (SOCE), da qual foi o primeiro presidente provisório. Faleceu em 15 de novembro de 1953 após longa enfermidade.

Em entrevista ao jornal Folha da Manhã, em 1952, Jorge de Lima disse que acordava às quatro da manhã; que só fazia visitas como médico; ouvia Mompou, Strawinsky, Bach, Mozart, Beethoven; Stendhal era o escritor estrangeiro de sua predileção. Sobre o Brasil, declarou que “É um país semicolonial, com as maiores possibilidades de ser uma verdadeira democracia e o maior país do futuro”.


Para nós, todavia, pelo menos neste momento de nossa própria evolução, é Jorge de Lima o maior, o mais alto, o mais vasto, o mais importante, o mais original dos poetas brasileiros de todos os tempos.
Mario Faustino

Tudo entra no poema de Jorge de Lima concebido na febre que exalta, no sonho que dilata, no transe que confunde. E o passado junta-se ao presente. Memória e invenção, sonho e realidade, história e futuro, infância e ancestralidade confundem-se, como se, em verdade, o poeta formasse com o seu poema uma espécie de caos preparatório de onde surgirá um dia uma ordem ideal.

João Gaspar Simões, da apresentação ao livro Invenção de Orfeu

A partir do instante que ninguém tiver medo de assumir que reconhece e compreende a sua obra, aí Jorge de Lima estará sagrado como o poeta brasileiro que melhor sintetiza as possibilidades de invenção da língua portuguesa em terras brasileiras.
Salomão Sousa

Bibliografia: XIV Alexandrinos, Artes Gráficas, 1914; O Mundo do Menino Impossível, Casa Trigueiros, 1925; Poemas, Casa Trigueiros, 1927; Novos Poemas, Pimenta de Melo & Cia., 1929; Poemas Escolhidos. Andersen Editores, 1932; Tempo e Eternidade, Livraria do Globo, 1935 - em colaboração com Murilo Mendes; A Túnica Inconsútil, Cooperativa Cultural Guanabara, 1938; Poemas Negros, Revista Acadêmica, 1947; Livro de Sonetos, Livros de Portugal, 1949; Vinte Sonetos, ilustrações do autor, Editor V. P. Brumlik, 1949; Obra Poética, Editora Getulio Costa, - inclui produção anterior, juntamente com Anunciação e Encontro de Mira-Celi, 1950; Invenção de Orfeu, ilustração de Fayga Ostrower; Livros do Brasil, 1952. Constam aqui apenas as primeiras edições de sues livros de poemas, cabendo sinalizar que ele escreveu um livro sobre Castro Alves (Castro Alves — Vidinha), um sobre Anchieta (Anchieta), alguns outros ensaios, e cinco romances (Salomão e as mulheres, O anjo, Calunga, A mulher obscura, e Guerra dentro do beco). Sua obra tem gerado apresentações teatrais e musicais, cabendo destacar o espetáculo O Grande Circo Místico, de Edu Lobo e Chico Buarque de Hollanda, que está registrado em disco.

Página gentilmente organizada por Salomão Sousa.



Jorge de Lima, "Cavalos Alados", 1940

Injustamente, Jorge de Lima anda esquecido, mas venerado por especialistas e leitores mais bem informados. Ana Maria Paulino, em sua obra: JORGE DE LIMA, por Ana Maria Paulino. São Paulo: Edusp, 1995. (Col. Artistas Brasileiros, 1) atribui o fato ao “epíteto de “poeta cristão” a ele dedicado e a qualidade de “poesia religiosa” conferida a seus versos” que teria afastado “deles o leitor dos anos 60. Leitor mais interessado em obras cujo tema abordasse o momento político-social vivido pelo país.” E atualmente? A poesia atual descolou-se de ismos e se enveredou por caminhos heterodoxos, mas Jorge Lima é sempre uma referência para poetas jovens, a notar por sua presença em blogs e revistas eletrônicas.
Como disse o iluminado poeta:
“Como conhecer as coisas senão sendo-as?”

Outra faceta pouco conhecida do poeta é a de artista plástico, que fazia montagens e pintava telas, a exemplo desta imagem a seguir, colhida no supra citado livro de Ana Maria Paulino, exemplar da Col. A.M., cedida pelo bibliófilo Oto Reischneider Dias.


O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sobra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!


CANTIGAS

As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.
As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras ficam tão tristes, tão pensativas!

As cantigas tangem os bois dos boiadeiros! ¬
Os bois são morosos, a carga é tão grande!
O caminho é tão comprido que não tem fim.
As cantigas são leves ...
E as cantigas levam os bois, batem a roupa das lavadeiras.

As almas negras pesam tanto, são
Tão sujas como a roupa, tão pesadas como os bois ...
As cantigas são tão boas ...
Lavam as almas dos pecadores!
Lavam as almas dos pecadores!


ALTA NOITE QUANDO ESCREVEIS

À senhora Heitor Usai

Alta noite, quando escreveis um poema qualquer
sem sentirdes o que escreveis,
olhai vossa mão — que vossa mão não vos pertence mais;
olhai como parece uma asa que viesse de longe.
Olhai a luz que de momento a momento
sai entre os seus dedos recurvos.
Olhai a Grande Mão que sobre ela se abate
e a faz deslizar sobre o papel estreito,
com o clamor silencioso da sabedoria,
com a suavidade do Céu
ou com a dureza do Inferno!
Se não credes, tocai com a outra mão inativa
as chagas da Mão que escreve.


XV

A garupa da vaca era palustre e bela,
uma penugem havia em seu queixo formoso;
e na fronte lunada onde ardia uma estrela
pairava um pensamento em constante repouso.

Esta a imagem da vaca, a mais pura e singela
que do fundo do sonho eu às vezes esposo
e confunde-se à noite à outra imagem daquela
que ama me amamentou e jaz no último pouso.

Escuto-lhe o mugido ? era o meu acalanto,
e seu olhar tão doce inda sinto no meu:
o seio e o ubre natais irrigam-me em seus veios.

Confundo-os nessa ganga informe que é meu canto:
semblante e leite, a vaca e a mulher que me deu
o leite e a suavidade a manar de dois seios.


VINHA BOIANDO O CORPO ADOLESCENTE...

Vinha boiando o corpo adolescente,
belo pastor e sonho perturbado.
Deus abaixou-lhe os cílios alongados
para que ele dormindo flutuasse.

Ressuscita-o, Senhor, essa medusa
de sangue juvenil em rosto impúbere,
desterrado da vida, flor perdida,
irmão gêmeo de Apolo trimagista.

Seca-lhe a espuma que lhe inunda o peito
e as convulsões mortais que o imolaram
às Sodomas ardidas em seu leito.

Anjo adoecido, alheio dançarino
que dançasse em Gomorras incendiadas,
estás cansado; deita-te, menino!


A TRISTEZA ERA TANTA, TANTA A MÁGOA...

A tristeza era tanta, tanta a mágoa
que seu anjo da guarda resolvera
lutar com ele, lutar para lutar,
que o interesse da vida perecera.

Ave e serpente, círculo e pirâmide,
os olhos em fuzil e os doces olhos,
os laços, os vôos livres e as escamas.

Que doida simetria nesses ódios!
Que forças transcendentes aros e ângulos
alguém quis que lutassem nesse dia!

Ave e serpente, círculo e pirâmide:

Que divina constante simetria
nessa luta soturna, nessa liça
em que Deus reconstrói o eterno cisne!


O grande desastre aéreo de ontem
Para Cândido Portinari

Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o paraquedas, e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.


XVIII

Éguas vieram, à tarde, perseguidas,
depositaram bostas sob as vides.
Logo após as borboletas vespertinas,
gordas e veludosas como urtigas

sugar vieram o esterco fumegante.
Se as vísseis, vós diríeis que o composto
das asas e dos restos eram flores.
Porque parecem sexos; nesse instante,

os mais belos centauros do alto empíreo,
pelas pétalas desceram atraídos,
e agora debruçados formam círculos;
depois as beijam como beijam lírios.


XXVII

Há uns eclipses, há; e há outros casos:
de sementes de coisas serem outras,
rochedos esvoaçados por acasos
e acasos serem tudo, coisas todas.

Lãs de faces, madeiras invisíveis,
visão de coitos entre os impossíveis,
folhas brotando de âmagos de bronze,
demônios tristes choros nas bifrontes.

Tudo é veleiro sobre as ondas íris,
condores podem ser os baixos ramos,
montes boiarem, aços se delirem.

Vemos ao longe sombras, e são flâmulas,
lábios sedentos, lírios com ventosas,
ódios gerando flores amorosas.


Essa Negra Fulô

Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
— Vai forrar a minha cama
pentear os meus cabelos,
vem ajudar a tirar
a minha roupa, Fulô!

Essa negra Fulô

Essa negrinha Fulô!
ficou logo pra mucama
pra vigiar a Sinhá,
pra engomar pro Sinhô!

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
vem abanar o meu corpo
que eu estou suada, Fulô!

vem coçar minha coceira,
vem me catar cafuné,
vem balançar minha rede,
vem me contar uma história,
que eu estou com sono, Fulô!

Essa negra Fulô!

"Era um dia uma princesa
que vivia num castelo
que possuía um vestido
com os peixinhos do mar.
Entrou na perna dum pato
saiu na perna dum pinto
o Rei-Sinhô me mandou
que vos contasse mais cinco".

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
Vai botar para dormir
esses meninos, Fulô!
"minha mãe me penteou
minha madrasta me enterrou
pelos figos da figueira
que o Sabiá beliscou".

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
(Era a fala da Sinhá
Chamando a negra Fulô!)
Cadê meu frasco de cheiro
Que teu Sinhô me mandou?

— Ah! Foi você que roubou!
Ah! Foi você que roubou!

O Sinhô foi ver a negra
levar couro do feitor.
A negra tirou a roupa,

O Sinhô disse: Fulô!
(A vista se escureceu
que nem a negra Fulô).

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê meu lenço de rendas,
Cadê meu cinto, meu broche,
Cadê o meu terço de ouro
que teu Sinhô me mandou?
Ah! foi você que roubou!
Ah! foi você que roubou!

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

O Sinhô foi açoitar
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dêle pulou
nuinha a negra Fulô.

Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
foi você, negra fulô?

Essa negra Fulô!


VII

Alegria achareis neste poema
como poema ilícito, como um
corpo casual ou vão, como a memória
dura e acídula, como um homem se
conhece respirando, ou como quando
se entristece sem causa ou se doente,
ou se lavando sempre ou comparando-se
às dimensões das coisas relativas;
ou como sente os ombros de seu ser,
transmitidos e opacos, e os avós
responsabilizando-se presentes.

São alegrias rápidas. Lugares,
reencontrados países, becos, passos
sob as chuvas que não vos molharão.


A MÃO ENORME

Dentro da noite, da tempestade,
a nau misteriosa lá vai.
O tempo passa, a maré cresce,
O vento uiva.
A nau misteriosa lá vai.
Acima dela
que mão é essa maior que o mar?
Mão de piloto?
Mão de quem é?
A nau mergulha,
o mar é escuro,
o tempo passa.
Acima da nau
a mão enorme
sangrando está.
A nau lá vai.
O mar transborda,
as terras somem,
caem estrelas.
A nau lá vai.
Acima dela
a mão eterna
lá está.


De
INVENÇÃO DE ORFEU

CANTO I

XXVI

Qualquer que seja a chuva desses campos
devermos esperar pelos estios;
e ao chegar os serões de os fiéis enganos
amar os sonhos que restaram frios.

Porém se não surgir o que sonhamos
e os ninhos imortais forma vazios,
há de haver pelo menos por ali
os pássaros que nós identificamos.

Feliz de quem com cânticos se esconde
e julga tê-los em seus próprios bicos,
e ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em torno as mais terríveis cenas,
possa mirar-se as asas despenadas
e contentar-se com as secretas penas.


CANTO III

XVIII

No dia seguinte:
chamados da terra,
o poema de leva,
te dana, te agita,
te vinca de cruzes,
te envolve de nuvens.
Quem sabe aonde vai
parar no outro dia?


CANTO VI

CANTO DA DESAPARIÇÃO

I

Aqui é o fim do mundo, aqui é o fim do mundo
em que até aves vêm cantar para encerrá-lo.
Em cada poço, dorme um cadáver, no fundo,
e nos vastos areais — ossadas de cavalo.

Entre as aves do céu: igual carnificina:
se dormires cansado, à face do deserto,
quando acordares hás de te assustar. Por certo,
corvos te espreitarão sobre cada colina.

E, se entoas teu canto a essa aves (teu canto
que é debaixo dos céus, a mais triste canção),
vem das aves a voz repetindo teu pranto.

E, entre teu angustiado e surpreendido espanto,
tangê-las-ás de ti, de ti mesmo, em que estão
esses corvos fatais. E esses corvos não vão.



DEMOCRACIA

PUNHOS DE REDES embalaram o meu canto
para adoçar o meu país, ó Whitman.
Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-olhados,
catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,
carumã me alimentou quando eu era criança,
Mãe-negra me contou histórias de bicho,
moleque me ensinou safadezas,
massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,
bebi cachaça com caju para limpar-me,
tive maleita, catapora e ínguas,
bicho-de-pé, saudade, poesia;
fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,
dizendo coisas, brincando com as crioulas,
vendo espíritos, abusões, mães-d’água,
conversando com os malucos, conversando sozinho,
emprenhando tudo que encontrava,
abraçando as cobra pelos matos,
me misturando, me sumindo, me acabando,
para salvar a minha alma benzida
e meu corpo pintado de urucu,
tatuando de cruzes, de corações, de mãos-ligadas,
de nomes de amor em todas as línguas de branco, de mouro ou de pagão.


De
ANUNCIAÇÃO E ENCONTRO DE MIRA-CELI
1943

25

O Avô tinha sido um ancião convencional,
que se aterrou de sobrecasaca e polainas;
e a avó – uma menina pálida que morreu ao pari-la;
o pai fez algumas balada;
contam que tinha uma luneta para olhar ao longe.
Daí – a mão dobra a página do livro,
e a história da tetraneta finda com uma estocada no ventre:
há destinos travados, lenços quentes de lágrimas,
Quando a mão dobra a página, á rastros de sangue no soalho.
Esta é a mais nova das cinco.
Veja que os seios são como neve que nós nunca vimos
e ninguém nunca viu o pai que lhe fez um filho;
e o filho desta menina é este moço de luto.
Agora vire a página e olhe o anjo que ele possuiu,
veja esta mantilha sobre este ombro puro,
e estes olhos que parecem contemplar as nuvens
através da luneta avoenga. Veja que sem o fotógrafo querer
as cortinas dão a impressão de caras impressionantes
por detrás da gravura: um estudante de cavanhaque e outro de
[capa.
Repare bem o braço que ninguém sabe de onde
circunda o busto da moça e a quer levar para um lugar esconso.
Fixe bem o olhar com o ouvido à escuta para perceber a respiração grossa,
os gritos, os juramentos . . . A saia negra parece um sino de luto,
e o decote é a nau que a levou para sempre. E este fundo de água
pode ser o mar muito bem; mas pode ser as lágrimas do fotógrafo.



51

ETERNIDADE


ELE REVIU-SE:
não era mais
nem corpo
nem sombra
nem escombros.

Como foi isso?
Tudo irreal:
um barco
sem mar
a boiar.

Ele sentiu-se:
recomeçava.
Vivera
morrendo
numa estrela.

Ele despiu-se
de quê
De tudo
que amara.
Surdo-mudo
cegara.
Agora vê.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ROSALVO ACIOLI JUNIOR E SUA OBRA POETICA


Sonhos Imaginários (Poesia) livro de estréia do poeta Rosalvo Acioli Júnior, com prefácio do poeta e ensaísta Lêdo Ivo, foi lançado pela Global Editora, São Paulo, em 1984, obtendo sucesso nos meios literários nacionais.

Sonhos Imaginários foi indicado ao Prêmio Jabuti de melhor livro de Poesia em 1985, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), e ao Prêmio Olavo Bilac de melhor livro de Poesia em 1986, promovido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).
Rosalvo Acioli Júnior publicou seu segundo livro em 1987 Maceió (Poesia), Editora Senha, Maceió.

A poesia de Rosalvo Acioli Júnior mereceu elogios dos críticos e ensaístas Gilberto Mendonça Teles, Luciana Stegagno Picchio, Reynaldo Bairão, João Manuel Simões, José Paulo Paes e Paulo Rónai, e dos poetas Lêdo Ivo, Márcio Catunda, Ferreira Gullar e João Cabral de Melo Neto, entre outros escritores.

Em 1992, Rosalvo Acioli Júnior foi selecionado para a “Antologia da Nova Poesia Brasileira”, organização, seleção, notas e apresentação de Olga Savary, publicado pela Fundação Rio / Rio Arte, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Editora Hipocampo, Rio de Janeiro: 1992.


SEUS POEMAS
Os punhais

Tenho desperto os punhais do amor.
Fazem cicatrizes profundas no corpo amado,
delírio e sina na alma florida
de matizes em intensa dádiva.
O corpo amado é embriaguez divina,
terrena impossibilidade de Deus.


Um instante de amor é subversão à dor.

(Do livro Sonhos Imaginários, Global Editora, São Paulo: 1984)

Poema

Tenho a memória das flores.
De incenso a cálida alma de semens,
mágica transcendência de meus sonhos,
canção dos dias imponderáveis a que alço
como germe a se descobrir nas horas.
Extremas mãos que estendo ao sol.

Tenho a memória das flores
e a missão das sementes.

(Do livro Sonhos Imaginários, Global Editora, São Paulo: 1984)

O templo

Amo todas as mulheres que me possuem como almas.
A alma é sã e exercita a essência da carne.
Desnuda o coração em vértices encantos
e canta a terna proporção da natureza.
Deus não prescindiu dos homens a sabedoria
de seu templo de prazeres e alegrias.
Sábio o que conhece a plenitude do verbo.

(Do livro Sonhos Imaginários, Global Editora, São Paulo: 1984)

Amor a Maceió

Maceió, no nome tupi contida,
do mesmo tapagem do alagadiço,
do engenho a vila estabelecida
na paisagem crescente de viço.

Sou também assim da raiz Maceió,
o seu clarividente equilibrista
nas águas, ventos e luzes em nó,
que a ama e nunca perde de vista.

(Do livro Maceió, Editora Senha, Maceió: 1987)

Jaraguá

Em Jaraguá, sangue e cinzas cingem-se
Em seus velhos casarões de pedra e maresia.
Escorrem os carregadores de açúcar
Ruindo seus olhos na vertigem dos mortos,
Tortos de cana e madrugadas,
Bebendo o cheiro acre das prostituas.

Sob o pão e o vinho do patrão,
Rebentam os carregadores o veio de suas veias
E silenciosos no eclipse de seus rostos
prorrompem para o cais.

Em Jaraguá, arde a eternidade.

(Do livro Maceió, Editora Senha, Maceió: 1987)

A luz e a náusea

Por entre extremos vertem-se meus dias,
e neles, rútilos, o lúcido fio de esperança
transmuda os escombros desta terra selvagem:
província torta, cemitério de mortos-vivos.
Nas frestas da eternidade, escolhidos,
os suicidas, os leprosos, os assassinados,
me sacramentam e esplendem meus olhos,
por mais que em Maceió haja mel e fel
e ruminem os ecos da vertigem dos mortos.

Por Deus, há luz no chão do Universo.

(Do livro Maceió, Editora Senha, Maceió: 1987)