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quarta-feira, 24 de junho de 2009

SIDNEY WANDERLEY (AL) Poeta


RECREIO
Lambe a lua as cercanias.
Rutilam estrelas vadias.
Força é dizê-lo:
deste mato não sai coelho
nem desta estrofe, poesia.



ESTORVOS
Os vivos são incômodos porque fingem.
Os mortos importunam porque fogem.
Os ressurrectos, porque fulgem.
Ninguém alcança existir discretamente.



INEQUAÇÃO
Não se entra e sai da amada
como se entra e sai do teatro.
Do teatro se entra e saida mesma forma e maneira:
com cinco dedos por mão,
com vinte dedos no corpo,
trinta idéias na cabeça,
algum dinheiro no bolso;
com vida, se entrarmos vivos,defuntos,
se entrarmos mortos.



NÚMEROS
O que nunca me foi dado saber:
se três,se três mil e três
o exato número das mulheres que amei.
Amar é quasisempre
atrevimento ímpar.

José Geraldo Marques-Poeta alagoano


SONETO À MODA QUASE ANTIGA


É amanhã quando eu sair de casa
ao sentir a luz amiga transformada em brasa
que travarei combates comigo mesmo:
é amanhã, quando eu sair de casa!
terei lembrados, por certo, despenhadeiros
que suportei em chamas por semelhantes brasas:
é amanhã quando eu sair de casa


que pesarei meus passos com teus receios!


FOTOCORRÊNCIA
esta cobra de cimento armado
em bote armado devora o carro
e no carro o homem é devorado
é ultrapassado pela morte acesa em setassiga em frente -
perigo ao lado
esta morte de cimento armado
esta morte de ferro contorcido
este ex-baço este ex-fígado
este ex-cérebro ex-cedido
este compasso de samba não marcado
este perigo este amigo este inimigo
esta vida festa inaugural não finda
finda
finda
finda
Olha o inverno chegando!
O inverno chegando e o são João vindo com ele!
Ô tempo bão sô!
Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da prantação
A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva Pr'esse sertão sofredor
Sertão das muié séria Dos homes trabaiador
Rios correndo As cachoeira tão zoando
Terra moiada Mato verde,
que riqueza E a asa branca Tarde canta,
que beleza Ai, ai, o povo alegre
Mais alegre a natureza
Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de Rosinha
A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano.

sábado, 20 de junho de 2009

Poeta Arriete Vilela


ARRIETE VILELA (AL)Gênero: Poesia/ContosA autora: Alagoana, de Marechal Deodoro. Mestra em Liberatura Brasileira. Publicou Para além do avesso da corda (1980), Farpa (1988), A rede do anjo (1992), Fantasia e avesso (1994), O ócio dos anjos ignorados (1995), Dos destroços, o resgate (1999) e Vadios afetos (1999).A obra: Dos destroços, o resgate, Ed. Autora, Maceió, 1999.O ócio dos anjos ignorados, Ed. Autor, Maceió, 1995



AUTOFAGIA
Meu poema,autofágico,
devora-se em conotações de afeto entre o pai -
que poderia ter sidomeu - e um filho.
Não o filho de uma linguagem orgânica,
mas um filho que habita metaforicamente
nos brilhos que não imprimia
os metonímicos filhos que me habitam.
Não o pai que surge de uma memória
capaz de recriar quaisquer outras memórias
da infância, mas um pai que sempre será a referência
violentados desejos sem significados
inscritos nas imagens perpetuamente lodosasna nascente.
Por isso meu poema,autofágico,
refugia-se na própria carne viva
e me sangra em opressivos vazios
que não me devolvem o paie não me fazem parir o filho.



RECUSA
Recuso-me a dizer

desse desejo que se permite apenas rumorejar.
Faço-me, como Pessoa,canção tecida de artifícios e de luar,
mas queres ser somente raiz e tronco,referência e sonho ido.
Não encostas a tua face neutra
à face em febre da minha paixão,
porque temes os atalhos que te afastam
dos tetos protetores.
Recuso-me, então, a acolher-te em minha
alma, porque ainda não aprendestea dilacerar-me.



NÃO IREI ALÉM...
Não irei além da palavra
que atormentará a tua noite
insone nem além do espelho
que não te revelará em que sulcos
da tua alma caminhei em silêncio,
numa leveza quase agressora,
para que teu amor opaco e viscoso pudesse
fingir-se de miragem.
Não irei além dos tules, dos tafetás,
dos morins nem das sedas
com que criaste o cenário
desta solidão em que ensaio o nosso
último gesto:
mãos vazias na direção dos ventos tempestuosos.
Não irei além do teu entendimento,
mesmo que te debruces sobre os meus escritos
com a voracidade cega e triste do fogo que destrói
enredos, malfadados ou não.
Não irei além dos teus afetos
soterrados em vãs promessas, em vãs esperanças,
em vão apelos,porque sou, hoje,
coração revestido de invencível distância.
Não irei além do cheiro de maresia
vindo do passado, com as bandeirolas,
nas manhãs de domingo,
agitando-se ao anúncio da bem-aventurança
sempre no próximo porto,
sempre na próxima hora,sempre no depois.
Não irei além do que sou,nem dos meus aprendizados
na águas do meu signo,
nem das minhas andanças ao redor do umbigo
da província.
Não irei além de mim nem de ti,
ambos gaivota e águia,ambos aves de arribação,
ambos ilha e barco à deriva,ambos deserto e oásis.
Não irei além do que, hoje, é flor e nuvem,
vinho branco em taças renovadas,
aceno leve à partida da jangada de vela branca.
Não irei além da mansidão com que outros corpos
me chegam, como sons de saxofone
através da noitesem cintilações -
sequer as do anjo -,
nem irei além dessas ternuras arando
corações que um dia se fizeram desejo
e alegria, paixão e epifania.
Não irei além dos traços na obliqüidade
da minha vida, nem das redes que lanço
em rios de seixosa margem,nem além dos cajueiros
em flor à beira da estrada poeirenta.
Não irei além da contemplação dos trapezistas.



ESFINGE(fragmento)
Por detrás das máscaras e dos belos leques,
tua alma, drapejada de falsas jóias,
vela segredos em que desaparecem o teu rosto
e os teus gestos, crispados apenas na intimidade.
Por detrás do pó de arroz,
tuas rugas dizem de destinos à sombrado teu peito,
cujas graças, aparentemente generosas,
são noites furiosas de longos suspiros,
enquanto os incautos te segueme os loucos te renegame
os poetas te desconhecem e os animais urbanos te festejam.
Por detrás dos longos cílios de rímel,
teus olhos obscurecem alheios
caminhos e lhes distorcem os cipós.


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Poeta Ivone dos Santos

IVONE DOS SANTOS


Poemas extraídos de
PEDAÇOS
Maceió, 1984.


EM CONTRASTE

como brisa, ventania
manhã clara, deboche
dasatino, dor da agonia
poder fazer poesia
febre, perdição
salvação
amor
solidão
a força da doçura
que alimenta
o limiar da loucura
lágrima do coração
esperança, nada espanta
noite de São João
parto dos filhos do mundo
autor, personagem, leitor
nos olhos, todos os pecados
no corpo, a pureza da flor


PREFERÊNCIA

cinco minutos de espera.
pouco tempo de atraso
para quem espera tanto.

quinze minutos de espera.
ainda a· compreensão
para quem deseja tanto.

meia hora de espera.
convenhamos meu amor.
você está ficando
muito indisciplinado.

tempo é questão de preferência ...


UNO

mãos acariciam
cabelos
rostos
corpos
em delicado contato
como o escultor
que modela a obra-prima

não há palavras

apenas tato e visão
dizem da emoção
dos corações apertados
machucados pela saudade
pelo delírio da paixão
que os torna únicos
insubstituíveis ...

Mauricio de Macedo

MAURÍCIO DE MACEDO


Poeta, médico-auditor e professor universitário, nasceu em Maceió, Alagoas, em 1954.

Bibliografia: Cinzel da Língua (1996), Sínteses da sombra (1997), Aventuras da Negra Fulô (1998), Esfinge Caeté (1999), Onde a vida fere mais fundo (1999), A palavra feito brasa (2000), Canção dos Orixás (2001), A poesia no cordão seguido de Pastoril (2002), A ostra e a pérola (2003), Das Alagoas seguido de Guerreiro (2003), Tear da palavra (2004), Escorial de açúcar (2004), À beira do silêncio (2005), A água e a pedra (2005), Epifania (2006) e À sombra das palavras (2006).



DISPNÉIA
Maceió: Editora Catavento, 2008.
ISBN 978 85 7545 –166-3

GRANDES E PEQUENOS

Há os poemas grandes e belos,
polissêmicos,
configurando sinfonias do pensamento.
Há os pequenos poemas,
nervosos,
oligossêmicos,
chocando-se desesperados
contra as grades do prosaico.

Se cantam em liberdade os pássaros,
pousados nos galhos mais altos
ou tecendo guirlandas no ar,
também canta o passarinho
aprisionado na gaiola do alpendres.



DÁDIVA

Trazia palavras do mundo
quando voltava para casa
como trazia o gatinho abandonado
ou a mangueira brotando no caroço.

E as palavras que trazia
instalavam-se no repertório
do meu silêncio
feito o gatinho dentro de casa
ou a mangueira no quintal.
ao leitor

Sou o poema náufrago.
E peço ao leitor
a respiração boca a boca
que me faça sobreviver.

Sou o poema inacabado.
E peço-lhe
que arremate meus versos,
sendo meu co-autor.

Sou o poema cego.
E peço-lhe
que me empreste seus olhos
para que eu possa ver.

Sou o poema náufrago,
inacabado,
cego,
como todos os poemas
o são.


trincheiras

Não serás convidado a freqüentar os palácios.
Não terás acesso aos gabinetes do poder.
Não lembrarão que existes
na tua estranheza, na tua solidão,
no teu fracasso.
Não terás nenhuma importância
e nenhuma utilidade.
Mas as palavras que escreves
no silêncio da madrugada,
numa folha qualquer,
serão trincheiras inexpugnáveis.


por trás do poema

As palavras por trás do poema
não voltam o rosto para mim.
Magnetizados pelos olhos
de quem as decifrou,
aguardando o olhar
de quem vai decifrá-las,
as palavras já não olham
para trás.

OS VIRTUOSOS

“aqueles que se preocupam demais
com o destino do homem acabam mais
cedo ou mais tarde ficando cruéis.”
(Isaac B. Singer, tradução de
Rubens Siqueira)

Os virtuosos não sentem culpa.
Os virtuosos não têm dúvidas.
Os virtuosos não sentem medo.
Os virtuosos só têm virtudes.

Os virtuosos erguem guilhotina
em nome da virtude.

J .C. Sampaio Sobrinho

J. C. SAMPAIO SOBRINHO
José Correia Sampaio Sobrinho, nasceu em São Miguel dos Campos, Alagoas, em outubro de 1923. Aos 13 anos, era principiante ainda do curso preparatório quando ensaiou seus primeiros poemas. Aos 20, iniciou a atividade literária, no Jornal de Alagoas, com a publicação de algumas crônicas e poesias. Convocado para o serviço militar durante a última guerra, teve que se afastar daquela atividade. Licenciado, resolveu tentar a vida no Rio de Janeiro, onde viveu desde 1946. As dificuldades encontradas nos meios da imprensa, determinaram seu afastamento total da vida jornalística e literária e seu ingresso no comércio, onde serviu como contabilista.



SINFONIA CÓSMICAPoesiaRio de Janeiro: Organização Simões, 1953
CONTRASTES

Cidade plasmada em luzes e cores
absorta no vício e na virtude,
contraste de alegrias e de dores.
de vida farta e de vicissitude.

Cidade mulher, de ares sedutores
ao ver-te; qualquer um logo se' ilude.
A cada instante assistes dissabores,
recebes mais um, sempre em quietude.

Ao teu destino, assim, cumprindo, vais,
A um só tempo,lágrimas e risos
abrigas sob adornos naturais;

É do sábio equilíbrio dos opostos
que se sustentam astros e narcisos,
homens e anjos, gozos e desgostos.

O QUADRO

Cabeleira escorrida sobre o corpo.
Pernas nuas, sorvidas na voragem.
Mãos súplices em ânsia dalgum porto
ou de, no vendaval, qualquer mensagem.

Veste inconsútil modelando a forma
das carnes trêmulas de frio e espanto.
Só triste desamparo apenas orna.
Da tão lúgubre imagem desce 'um: pranto.

Alma em conflito dentro duma vida
na. busca de encontrar qualquer saída
que a torne em paz e livre da vergonha.

Quadro da perdição arrependida :
nada mais realista há que ela exponha
na mímica dos olhos e das mãos.




Poeta Roseane Rodrigues


Rosiane Rodrigues Cavalcanti é natural de Piranhas, Alagoas, nascida em 14 de junho de 1948. Médica psiquiatra e professora universitária, fez cursos d pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Fundação São Camilo de São Paulo.

Poeta e compositora, é membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Grupo Literário Alagoano, Associação Alagoana de Imprensa, Confederação Internacional de Autores e Compositores, Sociedade Independente de Compositores e Autores Musicais e Sócia Honorária Ada Academia Maceiosense de Letras.

Obras publicadas: O inocente (1967), Alma e Poesia (1977), Uma vida simplesmente (1983), Pêndulo da vida (1985), Chispada (1986), Bico de luz (1990), Piranhas, retrato de uma cidade (1999), Pequeno Dicionário de uma Psiquiatra (2001) e A tentação do anjo (2001).
ESCULTURA

anjo bate asas
horizonte deserto
beijo de chuva
de suave gesto

arco-íris e flechas
contra o tempo
esculpindo amor
a favor do vento


DESEJO

longe,
o coração
pranteia

perto,
acelera
e baqueia

fonte
do desejo
permeia


QUIMERA

aquela imagem
ainda cintila
como miragem

a voz caliente
na mente destila
enfraquecida

o sonho se inflama
e a realidade
apaga a chama


TEMPESTADE

nuvem passageira
doce manjar dos céus
altaneira

estrelas ladrilham
passos solitários
trilham

cálida noite
tragar de chuva
açoite

Poeta José Inácio Vieira

José Inácio Vieira de Melo nasceu em Olho d’Água do Pai Mané, povoado do município de Dois Riachos, Alagoas, em 16 de abril de 1968. Filho de Aloísio Vieira de Melo e de Inácia Rodrigues de Santana. Passou a infância e a adolescência entre as cidades de Palmeira dos Índios, Arapiraca e Maceió. Em 1988, Mudou-se para o município de Maracás, Bahia, onde morou por 10 anos, em uma fazenda – Cerca de Pedra. A partir de 1998, passou a residir em Salvador, onde fez graduação em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em 2006 transfere-se para Jequié, a Cidade Sol, e para a fazenda Pedra Só, no município de Iramaia. É co-editor da revista de arte, crítica e literatura Iararana e colunista da revista Cronópios. Em 2005, coordenou, ao lado de Aleilton Fonseca e Carlos Ribeiro, o Porto da Poesia na VII Bienal do Livro da Bahia.
Seleção de poemas do livro:

DILÚVIO

O olho daquele pingo de chuva que vem caindo
revela a minha convicção: acredito no dilúvio.

Não tem mais jeito, para toda árvore que olho
só vejo tábuas para construir a arca da salvação.

Sei que todos riem de mim, fazem galhofa
e acham mesmo que estou com um chocalho no juízo.

Mas é que tive um sonho: um ser vestido de água
inundava o meu dia a minha noite a minha vida.


DANÇA DAS REDONDILHAS

Vamos cantar um galope
no coração da caatinga,
dizer palavras de luz
nos versos de sete sílabas,
caminhar passo acertado:
Toada da despedida

Certo, temos que ir.
E quando damos o passo
muito do que somos fica.
Muito mais seremos.
Inevitável a única certeza:
um dia a Derradeira vai lambera tua boca,
e já estarás habitando noutras plagas.
Não te aperreies, é assim mesmo:
a despedida é a véspera do encontro
(e o mundo – que nem peão –continua no arrodeio, na ladainha).
Amanhã, quiçá,
estaremos juntos nos favos de mel
das europas ou no estrume das vacas leiteiras.
Vamos cumprir as quadras da vida!
cadência de redondilhas.
A morte promete jardins
Este teu brilho de agorasão cacos –
rastros errantes
que persistem na busca inútil
da tua primeira semente.
Este teu brilho de agora
é a sombra do que foste,
e se ainda és girassol celeste
é que a morte promete jardins.
La muerte promete jardines
Este tu brillo de ahorason trozos –
rastros errantes
que persisten en la busca inútil
de tu primera semilla.
es la sombra de lo fuiste
Este tu brillo de ahora
y si todavía eres girasol celestees
que la muerte promete jardines.
Sentido
Os homens vinham e havia um caminho.
Continuavam, e o prumo os esperava,
e eles seguiam acreditando nisso:
sempre rumar –
sempre sempre sempre.
Os homens nunca chegavam a algum lugar,
mas iam eternamente em busca de,
pois não queriam nem suportariam
entender a verdade do lugar nenhum.
Sentido
Los hombres venían y había un camino.
Continuaban, y la brújula los esperaba,
y ellos seguían creyendo en eso:
siempre rumbear – siempre siempre siempre.
Los hombres nunca llegaban a algún lugar
pero iban eternamente en busca de,
pues no querían ni soportarían
entender la verdad del lugar ninguno.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

A poetiza da Alma-Cecília Meireles


Cecília Meireles nasceu no Rio, em 7 de novembro de 1901, mesma cidade em que morreu, a 9 de novembro de 1964. A menina foi criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides.

Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara
com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia,
sombra de som curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e,
de outro, esquecimento.
MARINHA
O barco é negro sobre o azul.
Sobre o azul os peixes são negros.
Desenham malhas negras as redes,
sobre o azul.
Sobre o azul, os peixes são negros.
Negras são as vozes dos pescadores,
atirando-se palavras no azul.
É o último azul do mar e do céu.
A noite já vem, dos lados de Burma,toda negra,
molhada de azul:-
a noite que chega também do mar.
LEVEZA
Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,mais leve.
E a cascata aérea de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,mais leve.
E a fuga invisível do amargo passante,mais leve.

Se Não Houvesse Montanhas
Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhase
os braços colhessem redes!
Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!
Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse,
além de breve, perdida!
Eu não tinha cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo
E em labirintos se movem
Os fantasmas que persigo.

Cecília Meireles

Mulher ao Espelho
Hoje, que seja esta ou aquela,pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingidado meu cabelo,
e do meu rosto,se é tudo tinta:
o mundo, a vida,o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira ao nada,
não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,olhos,
braços e sonhos seus,e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,outros,
buscando-se no espelho.
Cecília Meireles
Canção quase Melancólica
meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Cecília Meireles

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Poetiza de Alagoas..Valderez de Barros


Sou: Valderez de Barros, nasci em Paulo Jacinto, Alagoas, em 31/07/1937. Fiz o curso superior de Educação Artística, com opção por Música, no CESMAC.Tenho dois poemas editados no livro "A Poesia das Alagoas", uma obra que reuniu vários poetas alagoanos. Meus escritos estão postados no "Recanto das Letras", no meu blog "Gritos de Minha Alma" e no "Movimento da Palavra", um blog fundado há pouco tempo por um grupo de poetas alagoanos, entre os quais eu estou.
Nome: Valderez de Barros
Local: Maceió, Alagoas, Brazil
Sou uma mulher que ainda crê no amor...Que apesar dos anos vividos, ainda tem dentro de si uma adolescente que busca o seu príncipe encantado...Que acredita num mundo melhor... Que chora ao ler uma linda mensagem de amor...Que se emociona ao ouvir uma música suave...Que tem uma alma romântica, sensível e sonhadora e um coração que vagueia no tempo e no espaço, sempre perseguindo o sonho de ser feliz.
MENINA MULHER
Esta noite eu não quero ter
Nenhum outro pensamento…!
Vou encostar a cabeça
No meu travesseiro,
Fechar os olhos e sonhar…
Sonhar que sou
Aquela menina-mulher,
Que com os longos cabelos negros
E seus grandes olhos verdes,
Vivia a brincar, a sorrir, a cantar…
Que com a suavidade dos seus gestos,
A doçura do seu coração, cativava amigos e amigas…
Que na inocência da sua alma adolescente,
Não percebia que despertava
Olhares tímidos… ou indecentes…
Ah, época boa, aquela…!
Como é bom viajar no tempo
E reviver as emoções tão puras
De uma idade em que tudo era lindo,
Tudo era novo e cheirava a rosas e jasmins…
Hoje o perfume daquele tempo
Ainda está bem forte dentro de mim…
Hoje há uma parte do meu coração
Que ainda guarda a ingenuidade
Daquela menina-mulher, numa época da minha vida
Em que os sonhos tinham sabor de inocência…
A nostalgia veio e ficou…
Uma lágrima quente
Escorre pela minha face já quase sem brilho…
Ah, saudade doída, mas gostosa, que chega
Embalada por doces lembranças…!
IMPOSSIVÉL
Impossível não pensar em ti,
Nos teus beijos, nas tuas carícias...
Em teus braços me apoiando,
Quando juntinhos passeávamos,
Alheios às pessoas que passavam...
Impossível sentir a brisa em meu rosto,
Sem do teu toque suave me lembrar...
E quando me abraçavas forte,
Eu te enlaçava feliz, sorrindo,
Como se nunca fôssemos nos separar...
Impossível, meu doce amor,
Não lembrar como me olhavas...
Ah, os teu olhos! Eu me perdia neles!
Ainda estremeço, ao lembrá-los,
Profundos e apaixonados...
Impossível te esquecer,
Quando minh'alma ainda chama por ti,
Quando meu coração chora de saudade...
Uma saudade que dói, mas, ajuda-me
A suportar o vazio que deixaste em mim...
Primeiro soneto

Com cuidado e com carinho,
Meu soneto vou tecendo;
Ele é complicadinho,
Mas, devagar, vou fazendo.
.
Sou poetisa sem rima,
Em versos livres passeio,
Com a emoção que germina
Em minh'alma, sem receio.
No meu soneto primeiro,
Que não seja o derradeiro,
Não quero decepcionar.
.
Se tomar gosto, prometo!
Com prazer e muito jeito,
Sempre mais me aprimorar!
se...
Se eu pudesse não mais sonhar...!
Se eu pudesse tirar do meu peito
A tristeza, a dor da solidão...
Quem sabe, sossegaria meu coração...!
Se eu pudesse fazer adormecer
A vontade que tenho de te encontrar...
Quem sabe aliviaria essa dor
Da minh'alma carente de amor...!
Se eu pudesse esquecer
A minha fantasia de um dia
Ver-te ao meu lado, ao acordar,
Sorrindo feliz, a me beijar...!
Ah, se eu pudesse esquecer...!

Publicado no Recanto das Letras em 25/04/2009

Volta meu amor...

Deixo contigo, meu pedido mais novo, *
Na esperança que ainda possas me amar... **
E no íntimo das emoções, voltes pra mim! *
A saudade está doendo! Preciso tanto de ti! **
Dói numa dor ardida, abre em meu peito ferida
Que cicatriza jamais! *
Minh'alma sofrida te chama, **
Meu corpo grita, retorcido na cama! *
Num louco delírio, meu coração te implora: **
Volta! Volta para quem tanto te ama! *
Vem matar essa vontade que me devora, **
Florir meus desejos, sentires o que eu sinto agora! *
Vem, não deixa tanta vida no vazio, se perdendo! **
Não deixa esse vazio para sempre doendo... *
Podemos ser felizes, meu amor! Volta! **
.
Autores:
Paulo Cesar Coelho *
Valderez de Barros **
Ao querido amigo Paulo, o meu agradecimento, por me proporcionar mais uma vez, a grande alegria de compormos juntos!!! Beijão, parceiro!!!.
Para ver o trabalho deste ilustre poeta, visite:

http://www.pcoelho.prosaeverso.net/

Tempo de perdão...

Houve um tempo em que
Continha minhas lágrimas,
Escondia minhas dores de amor...
Ou, se tinha oportunidade,
Chorava escondida,
Sem que ninguém notasse...
Houve um tempo em que
Meu coração despedaçado,

Chorava também pelo que sofrias...
Sim, eu sei que sofrias...!
E eu também chorava por ti,
Mas...nem percebias...!
Hoje me arrependo
De não ter dito mais vezes,
Mesmo na nossa situação,
O quanto te amava...!
Sei que me amaste
Do teu jeito...eu sei...!
Hoje, as mágoas se foram...
A dor se foi, junto com o tempo...
Agora, só procuro recordar
Os momentos felizes que vivemos...
Hoje eu te peço perdão,
Se não fui a mulher que esperavas...!
Já te perdoei há muito,
Pelas dores que me causaste...!
Mas, nunca perdoei a mim mesma,
Por não ter conseguido fazer-te feliz...!
Não sei onde errei...se errei...!
O que sei, é que sempre te amei...!

Publicado no Recanto das Letras em 11/04/2009

Buscando teu corpo

Na noite fria, Busquei teu corpo
Pra me aquecer...
Só encontrei o vazio...
Permaneci acordada
Por várias horas
Sentada na cama,
Braços ao redor dos joelhos...
O frio aumentou,
Gelando meu rosto,
Onde lágrimas quentes
Tentavam aquecer minha dor...

Publicado no Recanto das Letras em 12/03/2009

Coração apaixonado...

Meu coração apaixonado,
Esconde-se,
Timidamente calado,
No sorriso disfarçado
Que se abre no meu rosto,
Quando de mim te aproximas;
Sem perceberes,
Nem sequer imaginares,
O quanto te amo e te quero...

Publicado no Recanto das Letras em 05/03/2009



Magia e sedução...

És um feiticeiro,
Jogando tua magia
Sobre meu carente coração,
Envolvendo-me com tua sedução...!
...E como sabes falar de amor...!
Como sabes dizer
Com tanto encantamento,
O que agrada a uma mulher...!
Quem pode te resistir...?
Quem pode negar a atração
Que exerces sobre nós,
Mulheres românticas e sozinhas...?
Ah, meu lindo feiticeiro,
Quero morrer de amor, de emoção,
Em teus fortes e macios braços,
Envolta, completamente, em tua sedução...


Publicado no Recanto das Letras em 26/01/2009

Somente espinhos

A solidão e a tristeza
.
Andam juntas,
.
Abraçadas,
.
Por um sofrido
.
E obscuro caminho,
.
Onde já não há mais rosas,
.
Só afiados espinhos...

.
Publicado no Recanto das Letras em 14/01/2009

Bom dia, vida

( Para Valderez, depois de ler o seu poema "Medos" )


Se tudo parecer desabarolhe ao seu entorno,

veja a vida pulsando,pessoas passando,pássaros cantando,

descubra a Primavera

chegou num dia tão belo.

Ouça o riso da criança

escute o barulho do mar,

siga o vôo da gaivota,

os ires e vires das ondas,

pise na areia úmida,

inebrie-se com o cheiro

forte da maresia.

Ouça do seu coração

o bater compassado,

sorva o ar da manhã,

sinta o calor da vida

inundando o seu corpo.

Abra um sorriso

e grite bem alto:

-Bom dia, vida!!


(JAC)ZealbertoMaceió/Setembro/2008.

Ze Alberto, meu querido amigo de longas datas, agradeço, de coração, pelo carinho e apoio em forma deste lindíssimo poema, que me emocionou profundamente.Aceites o meu mais terno e afetuoso abraço.Valderez ( Dês ).

terça-feira, 9 de junho de 2009

Poeta Mário Feijó




Para que eu te amasse
Eu não sei se foi
O teu jeito de olhar...
Talvez até quem sabe
O teu modo de andar

Mexendocom todo o teu corpo
E também com o meu
– eu não sei...
Eu simplesmente não sei
A razão que tive para te amar
Mas toda vez que te vejo
É como se eu fosse fumaça
Que sobe aos céus
– eu dou graças...
Podia ser até pelo teu cheiro
Ou pelo sabor que tu tens
Eu não sei –
pois eu nunca te toquei
Nem tão pouco senti o teu perfume...
Só que eu sinto que se precisasse
Explicar porque te amo conseguiria
Rapidamente formular uma tese
De que não existe uma razão para amar
A gente simplesmente ama...


MOVIDO POR VOCÊ

Por menor que sejamos
Diante da grandeza do universo
Nem imaginas a extensão
Que ocupas em minha vida...
O teu amor
Tem uma vasta energia
Capaz de gerar meus movimentos
Ele me faz querer viver...
A tua presença
Enche todos os espaços
E o fato de eu poder te ver
Cabe em todas as minhas paisagens...
O som da tua voz
Toca em minh’alma
Que esperta para a vida
E produz nela os mais belos ritmos...
Eu sou assimMovido por você...
E sem tiEu não saberia mais viver...

04.06.2009







Meu coração feridoEsvaiu-se em sangue
Quando não mais sentiu
O calor dos teus braços
E solitário feriu-se
Deixando meu corpo apático
Faces descoradas pela solidão
E pela falta de emoção em estar contigo...
Não consigo animá-lo
Mesmo oferecendo outros amores
Mesmo proporcionando fortes emoções
Jovens corações
– ele sente a tua falta...
Vem e me abraça
Cobre minha pele com a tua
Encha minha boca de beijos
E cicatrize meu coração ferido...

04.06.2009



Mário Feijó



segunda-feira, 8 de junho de 2009

Paulo Nunes Junior




Absoluta


Seduz minha alma com teu olhar penetrante,
faz de mim homem-menino
Retira-me a razão,
Levando-me a este jogo sem fim de sedução...
Lança-te em meio aos meus lençóis
tomando-se o néctar de minha essência!
Entrego-me neste jogo maluco, chamado paixão...

Tua pele de seda com aroma selvagem
Mulher tigresa...
Desejando ser domada por mim, agora teu dono e senhor!

Nestes instantes de prazer absoluto jogo-me em teus braços
Confundo-me com o próprio tempo,
Faço dele pequeno diante de nosso fogo...
Penetrante nas entranhas mais profundas de nossas almas.

A ti entrego-me sem querer saber do amanhã,
Hoje, contigo, é a eternidade a cada minuto a teu lado
Sempre de horas intermináveis, múltiplos gozos...
Elevando-nos aos jardins do próprio Eros, a invejar-nos...

De minha tigresa faço senhora, rainha de minhas selvas...
Entrego-te meus segredos até então impenetráveis.
Agora faço de nosso amor essência mais pura,
Mais doce que mel, com gosto de pecado...
Quero-te por todos os meus dias a fazer-me teu escravo...
Teu senhor... Teu amor...!

Faço de ti meu universo, meu tempo, meu sol, minha lua,
Minha estrela absoluta!
Viajo entre o infinito, contigo enfrento a tudo.
Lanço-me teu defensor e senhor, rainha de meus castelos!
Vem, vamos viver intensamente nossa paixão!...
Entregando-se, um ao outro, da maneira mais louca,
Sem limites, sem barreiras...


Paulo Nunes Junior



TUDO É SILÊNCIO!...

A natureza chora o dia escureceu!...

É só tristeza, um amor morreu,

Não há vento nem vozes...



NEM TUDO!...

Nada se cala diante da força do
amor!
Oh!...Amor sentimento carregado
nos corações dos justos, dos guerreiros
dos profetas, dos grandes poetas, de todo
aquele, que mesmo pequeno, humilde, analfabeto,
carrega no peito...
Ah!...Amor nada te cala pois afinal quem te
criou foi simplesmente Deus!

Paulo Nunes Junior


29/01/2006



SERÁ MI FIN...
Paulo Nunes Junior

Tu amor se va y de forma cruel me deja…
Me transforma de un gran hombre en un pequeño niño,
Cuántas noches en vela, cuántas lágrimas derramadas por ti…
De a poco te he ido perdiendo y bajo el puente de la ingratitud nuestro amor y nuestro deseo se fueron, noches de placer anhelados, lindos pensamientos apagados…
Cuánta pasión, cuánto calor y siempre el hielo de tus palabras hacían que se adormeciera en mí el monstruo del placer…
Soñar con tu beso, con tu piel, con tu gemido, con aquella sensación de estar en las estrellas, y viajar contigo por el infinito, recorrer contigo los caminos del amor que quema y que deja las marcas de la nostalgia de todo lo tuyo siempre… Siempre inerte como si no percibieras todo lo que siento por ti. Hoy, mi mundo, que era un volcán de placer incontenible, se va por el sumidero del olvido. Volver a empezar sin ti quizás sea una tarea imposible, pues de ángel me transformaste en esclavo de las lágrimas y del recuerdo y, ahora, tu piel y tu olor no se hacen presentes en mi cuerpo y comienzan a retirarse de mi alma.
Amor bandido, que sentí por ti, me hizo sonreír y ver la gracia de todo esplendor del placer y ahora me lo devuelve todo con tu frialdad y me traiciona con otros cuerpos de mejor silueta que la mía, la que te había entregado, la del amor pleno. En lugar del cariño me diste el castigo de la indiferencia, las palabras que esperaba de ti, llenas de miel, llegaron con la hiel de los mismos verdugos de los antiguos tiempos, de símbolo de pureza y de encanto te volviste en verdugo de la oscuridad.
Ah… Ese dolor de mi pecho, ¿será que un día se calmará?
La marca de mi alma, ¿será que un día se apagará y me hará olvidar lo que vi en aquella mañana? que debería de haber sido de encanto…
Ah, amor cachondo que me espera bajo mis sábanas, tú te fuiste y ahora estoy aquí viejo y solo y ya nada más espero… Las palabras se van, el dolor viene y aún tengo que verte, que desearte, pero ya no puedo tocarte. Ah, qué dolor… ¡cómo has sido mi compañera y me volviste tu esclavo!
Ah, amor, ¿dónde estás?, ¿dónde están aquellas noches de placer, aquella sonrisa dulce, aquel beso mojado, aquellos momentos de puro éxtasis?¿Dónde estás y para dónde te han llevado amor? Amor…
Yo grito por ti y mi voz regresa hacia mí y, una vez más, solo, voy recurriendo mi camino… Solo e infeliz…
Hoy he muerto y ahora me sepulto por siempre para el amor carnal, pues sin tu piel, tu olor, tu calor, nada… Nada más busco…

Paulo Nunes Junior
25/12/2005


QUANDO VOCÊ VOLTAR PRA MIM


Quando você voltar pra mim,
traga estampado no rosto aquele sorriso.
Seu sorriso provoca o meu!

Quando você voltar pra mim,
venha com as mãos firmes.
Elas sempre me prendem a você com sutil delicadeza.

Quando você voltar pra mim,
chegue com aquele brilho no olhar.
Ele sempre reflete a sua alma quando encontra a minha!

Quando você voltar pra mim,
venha cheio de desejo.
Sensação que sempre transforma nós dois em união absoluta.

Quando você voltar pra mim,
venha repleto de amor.
Sentimento que nos une, nos embriaga e nos torna um único ser.

Quando você voltar,
se você voltar,
venha completo pois estou completa a sua espera.



Voltei....

Como pude ficar tanto tempo longe de ti,
de tua pele, de tua voz, de teu olhar.
Já não suportava
viver sem teu sabor,
sem teu calor,
contigo meu corpo
sente a força dos vulcões que se formam em nosso
momento de êxtase total...

Agora volto pra você
para não deixar-te
pois sem você
minha pele não respira
minha voz se cala,
meu coração não bate, minha alma não reluz...

Agora juntos enfim vamos saborear este sentimento entre as estrelas, astros, planetas,
o que sentimos afinal.
Tão forte quanto eles meu grande amor!...

Paulo Nunes Junior
08/04/2006
.
Amor transcendental!!!

Viajando pelo interior de minh'alma,
fechei os olhos, veio um anjo,
de mãos dadas percorremos
as dimensões das estrelas,
mares, matas, rios...
percorri em busca de ti
quando de repente
deparei-me entre um imenso arco-íris,
nele me joguei em busca de ti
lá entre as cores dos anjos
senti você em cada tom,
tua pele, pelos lábios, teu corpo,
tua alma...
Agora você é o arco-íris
presente em meu coração
sem tuas cores não mais posso viver!...

Paulo Nunes Junior
16/04/2006

CORAÇÃO DESESPERADO!...

Entre os jardins do passado busco-te,
colho as flores que me fazem sentir teu cheiro
e deito-me entre os bosques
sinto teu corpo no toque da terra quente.

Entre os pássaros, lembro-me a liberdade de nosso amor, neste canto, recordo-me de tua voz.
Ao olhar os céus sinto seus olhos abertos ao encontro dos meus.
E, ao ver o sol, chego a sentir o calor de nossa paixão.

Assim vou...
percorrendo esse mundo
que cobra-me a cada instante a tua distância,
tenho sede de teu corpo,
de teu carinho, de tua pele, de teus gestos.

Saudades que me faz ficar com o coração desesperado,
pensando em entregar-me à morte,
sem você nada consigo ser...
Em teus olhos fiz refúgio a minha alma,
em teu corpo o refúgio de meus instintos,
com sua saliva matava minha sede,
em nossos beijos a minha fome.

Agora, que tomas distância sinto-me fraco...
entregando-me neste turbilhão de pensamentos
e neles você toma conta mais ainda de meu ser,
Aonde estas, para onde foste?...O que fazer sem ti?
Ajoelhar-me perante Deus e rogar-lhe?
Vou rastejar-me perante todos,
vou gritar pelas praças,
vou percorrer nações,
quero você de volta!...

Por meus erros foste-me
Agora,sem ti, nem mesmo errar consigo,
nada mais quero ser...
Deito-me neste chão frio
entrego-me por inteiro às lembranças
que devolve a meu peito o doce amor que me fizeste sentir,
busco forças para lutar
trazer-te a este coração
que se transformou em desespero de amor
que te suplica volta meu amor volta...

Paulo Nunes Junior
25/05/2006




PRECISO DE TI MEU AMOR
Havia
Havia você......e eu,aguardando um banal sinal qualquer!
Havia um desencontro,eu e você...
cada um de um lado
Tentando dar o primeiro sorriso
e o primeiro passo!
Havia um tempo insano!
Havia uma distância ingrata!
Havia um descompasso desumano!
E por tanto "havia",
que colocamos entre nós
Deixamos de existir como um só,
de vivenciar um grande amor,
de nos atirar em nosso intenso desejo
de amar de forma tresloucada,
até que nossos suspiros formassem um único canto!
Havia vontade, paixão, atração!
Só esquecemosde sair da inércia,
levantar a mão, sorrir, dar o sinal!
Havia você......e eu!
Eu ainda existo e desejo......você! E você


ENTRE AS FLORES TE AMEI...

Caminho entre os jardins,
Deparo-me com as flores que me lembram você,
As margaridas com seu toque simples como você,
As rosas com seu perfume, a tulipa com sua elegância,
A orquídea com sua beleza rara...
Faço disto meu acalento.
Entre as flores deito-me e em sonhos
recordo-me de nossos instantes mágicos.

Entre as flores, na areia da praia,
em todos os cantos que exale o aroma do amor.
Teu corpo aveludado como os copos de leite,
Teus lábios macios como palmas,
Teus olhos cheios de brilho e encanto como os gira-sóis,
Ah quanta lembrança, quanto amor...
Quanto de nós entre as flores.

Que agora me trazem a recordação de nossos momentos,
Que se fazem perpétuos em minha alma,
Teu beijo, teu carinho sem pudor,
onde só nós dois, distantes do mundo,
amávamos loucamente.
Entregando-nos, um ao outro, neste turbilhão de emoções.

Agora, a tua procura ficam as flores e minha recordação de ti,
de teu rosto doce, das palavras e juras de amor que me dissestes,
(e hoje lança-me por vezes o desprezo).
Ai vem a lembrança que as rosas tem espinhos e estes machucam,
Mas, mesmo assim, continuo a te amar loucamente,
Pois, em teus aranhões feitos pelos espinhos, entrego o meu beijo.
E de ti, esperançoso, fico aguardando o mesmo.
Poderá talvez demorar muito, mas eu te espero meu amor!
Espero que voltes a ser para mim meu jardim do amor,
minha flor rara, meu perfume mágico,
enquanto isto, entre as flores sinto-te...

Paulo Nunes Junior
25/07/2006
SP- Brasil


Para sempre teu...

Em teus braços havia...
...eu e você
um só...
em nossas lembranças os desencontros
eu e você
uma só luz,
um só sorriso,
um só viver...
Caminhamos juntos nas estradas
nosso oásis de amor,
Como animais insanos
entregamo-nos ao prazer
ao rolar entre as flores
nossos corpos exalavam
aroma de amor.
Se, por algum instante o medo
e eu, deixarmos de viver este sentimento
entrego-me sem querer saber de nada...
serei teus lábios, teu corpo, tua pele,
e entre nossos suspiros gotejaremos...
na profundidade dos olhos
falaremos um ao outro
Te amo, te amo!...
em teu seio de mulher te domino,
és minha... absoluta
e nada mais de distância de ti...
Eu? Só existo com você!

®Paulo Nunes Junior
SP-Brasil
09/07/2006
O Vento Levou

Pedi ao vento que ele levasse para bem
longe toda a mágoa e ressentimento de
meu coração
Deixasse só as
sementes do amor, do perdão,
do entendimento e
ele me atendeu.
Agora vou pedir a ele que faça o
mesmo com a humanidade!

Paulo Nunes Junior
Bertioga
28/01/06
*************

O VENTO E O ANJO DAS ESTRELAS

Eu adoro o vento e uma vez conversando com ele
eu fiz um pedido singelo, particular, meu...
Pedi que me enviasse um anjo que me pudesse ajudar
ensinar, e que me fizesse entender que a vida vale a pena
mas tinha que ser alguém especial, único,
que estivesse ali sempre ao alcance da mão e do coração
Falei também que ao encontrar este anjo,
tudo se modificaria dentro de mim
pois ele estaria brilhando,
especificamente para guiar o meu caminho,
e me levar ao encontro a mim mesma
Sentindo isso, me senti pequena para o Céu alcançar, e não me achava merecedora e capaz, de um dia o encontrar.
Todos nós temos uma luz própria e ocupamos um lugar especial neste universo,
Mas o que eu queria era mais, era além
E com o coração feliz e repleto de esperanças,
eu olhei para o céu, e o vento soprou me respondendo:

_Você vai encontrar teu anjo,
e ele está bem próximo de ti,
levante os olhos e os abra e verás a intensidade do brilho dele.
Depois disso ouvir Ansiosa
esperei meu o anjo aparecer
Contemplei o céu, pois acreditei que naquele dia meu anjo iria avistar.
Saí então em busca dele
Por diversas noites, fiquei a janela esperando.
Firmando o pensamento, para que fosse aquele o momento em que o anjo de mim se aproximasse
E... como num passe de mágica um belo dia, quase já sem esperanças
Ele veio até mim e me disse...
vem! eu te ajudo a caminhar...
E eu fui...
A resposta tenho hoje...
Pois este anjo tem o brilho da estrela mais iluminada pelo sentimento mais lindo e puro que cultiva e traz dentro do seu coração, O AMOR.

O nome dele?
PAULO NUNES JUNIOR
NOME DE ANJO MESMO
TE AMO

Almas Apaixonadas


Basta olhar nos teus olhos para enxergar além dos horizontes,
basta tocar em teus cabelos para começar uma viagem,
basta sentir o teu perfume para os meus sentidos se perderem.
Ai de mim, alma apaixonada pelos teus encantos,
sinto-te tão perto e ao mesmo tempo tão distante,
talvez, seja apenas angústia de uma pessoa sonhadora,
que busca esse amor perfeito,
o casamento das almas,
o indissolúvel,
o que nem o tempo, assassino das paixões,
nem a própria morte,
a separadora dos corpos,
poderão destruir.
É assim que te amo,
além de todas as fronteiras,
é assim que te respeito,
te busco e me encanto.
De dia ou de noite,
meus pensamentos te buscam,
e eu me entrego ao prazer de sonhar contigo.
Ai de mim, alma apaixonada,
sofro pela tua distância,
pela tua ausência,
e mesmo em tua presença,
sofro pelos minutos contados,
pelo relógio que insiste em correr,
sem respeitar o nosso amor.
Dizer que te amo é clichê velho e sem graça,
eu preciso de ti para respirar,
caminhar, viver e até sonhar.

Mais que amor, o que eu sinto por ti é a estranha certeza de que de alguma maneira, fazemos parte um do outro, coisa que só as almas apaixonadas podem entender, por isso nosso amor não se explica, apenas se vive intensamente.

Paulo Nunes

Amor Total



Soneto do amor total
vinicius de moraes

Amo-te tanto, meu amor...
não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.




Vinicius de Moraes

domingo, 7 de junho de 2009

Hipérbata


Resgato ao desvão do vento
que sopra rude lá fora
algumas letras soltas:
elevam-se buganvílias pétalas dum qualquer tempo que não sei…
de que me não sei…
púrpuras, amarelas, roxas, rosas, brancas …
ausente, melancólica, desfolho e releio um diário antigo de letras doiradas em capa negra
afago-lhe os contornos
limito-lhe o corpo
o volume de folhas amareladas empobrecidas
sumidas pouco mais que água
pagina daem hologramas de vazio em esforço
fico-me quase cega nas iluminuras incompletas, imperfeitas…
copista de um tempo, hipérbata,
deslizo em sensaborias d’excessos, desregramentos em versos e versos,
fio a fio,gota a gota,
seda pura em roca tosca ,
iluminados p’la inexistência intempestiva.
cognata
não sinto mais o vento
nem sequer calor fome ou frio…
não sinto nada
se ventava lá fora …
tudo está tão silencioso agora!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Fernando Pessoa


Não tenho ambições nem desejos.
ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sózinho. ..
.Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora....
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar......
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura... ...
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mãoE olha devagar para elas.



Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.




Prefiro rosas, meu amor,
à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.



Vem sentar-te comigo, Lídia,
à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe,
para o pé do Fado,

Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.




Fernando Pessoa